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Câmara debate fechamento de UTI Neonatal

6 de mar de 2012

O fechamento da UTI neonatal do Hospital de Caridade de Canguçu foi motivo de debate na sessão ordinária desta segunda-feira (05) no plenário da Câmara Municipal de Vereadores de Canguçu. Com a presença do Prefeito Cássio Mota (PP), da Coordenadora Adjunta da 3ª Coordenadoria de Saúde Vera Silva, do Diretor de Assistência Hospitalar da Secretaria Estadual de Educação, Marcos Antônio Oliveira Lobato e dos administradores do Hospital de Caridade de Canguçu, Fernando Gomes e Paulo Pureza. A reunião que devia durar meia hora se estendeu por duas horas debatendo os motivos do fechamento da UTI.
Representante do Estado no encontro, Lobato apresentou os motivos do fechamento da UTI Neonatal de Canguçu. Segundo ele o principal motivo foi a falta de profissionais para o atendimento médico. “Foi informado que teria o número necessário e por isso foi autorizada a abertura”, comentou. Na verdade dos nomes enviados a Secretaria apenas um médico estava realizando plantão. O administrador do Hospital, Fernando Gomes, disse que os médicos não teriam cumprido o acordo pré-estabelecido para o trabalho.  Lobato também informou que a vigilância sanitária encontrou problemas e que o laudo final ainda está sendo elaborado. O hospital teria sido notificado anteriormente ao fechamento e não se adequou ocasionando a suspensão das atividades.
Os vereadores quiseram saber sobre os valores repassados para a instituição. Lobato disse que foram enviadas todas as pedidas orçamentárias. “Eram R$ 100 mil para abertura e mandamos R$ 150 mil”, falou. Segundo ele durante o funcionamento ainda foi informado que os valores repassados pelo estado seriam insuficientes. Hoje o Estado repassaria uma média de R$ 800,00 ao dia para o atendimento e a pedida do hospital seria de R$ 2,500.00 para manter o atendimento. O estado irá estudar a proposta e, segundo Lobato, com os repasses irá exigir que os 10 leitos sejam exclusivamente para o SUS.
O Vereador Ubiratan Rodrigues (PP) mencionou nome de crianças que teriam perdido a vida no período de funcionamento da UTI Neonatal em Canguçu, exatos 103 dias. Seriam 12 no total. Segundo o administrador do hospital, Paulo Pureza, todas teriam entre 22 e 28 semanas e que seria inevitável “aqui ou em qualquer lugar do mundo” que morressem. Neste período 43 crianças teriam passado pela UTI, o que representaria aproximadamente 30% de mortes, média superior aos 12% de todo o Estado. Fernando Gomes disse que o hospital já dispõe de nomes de médicos suficientes para retomar o atendimento. Lobato disse que com a experiência de Canguçu servirá de modelo para que o Estado reforce a fiscalização em outras instituições. “Servirá de exemplo para redobrarmos a fiscalização nas demais UTIs”, relatou, dizendo que havia confiado nas informações passadas pelo hospital para garantir a abertura do serviço, mas que não dispunha de totais condições. “Nós acreditamos no que foi informado e ajudamos de todas as formas”, acrescentou.
Fotos: Augusto Pinz

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