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A Chance de mostrar capacidade e acabar com preconceito

11 de jan de 2011

Câmara Municipal de Canguçu oportuniza vagas em estágio para portadores de necesidades especiais.


Um projeto de autoria do presidente da Câmara de Vereadores de Canguçu, Wendel Vilela (PTB), destina a ocupação de 10% das vagas em estágio na Câmara Municipal de Vereadores para pessoas com necessidades especiais. Em 2011 dois jovens, alunos do ensino médio, estão realizando estágio na casa. Aprovada em 2010 a lei prevê também que o mesmo ocorra na Prefeitura. O descumprimento da lei implica em responsabilização dos administradores por improbidade administrativa, além da aplicação do código de ética da Câmara, no caso do legislativo. "O cumprimento da lei é o primeiro passo para a inclusão social em nosso município", revela Wendel que no ano anterior precisou cobrar diversas vezes a efetivação da mesma.


Guilherme Zanetti(foto ao lado), 25 anos, possui uma deficiência cerebral leve. Ele está na Câmara desde Setembro de 2010. Sempre alegre e comunicativo realiza entrega de documentos, busca assinaturas, entre outras atividades. A mãe do jovem, Martone Zanetti, comenta que Guilherme está realizado com o trabalho. “É uma oportunidade excelente para mostrarem que eles têm potencial de trabalhar, tranquilamente”, disse.


Luiza Rodrigues Rios(foto abaixo), 16 anos, começou a trabalhar no legislativo local no começo de 2011. O ano novo trouxe à oportunidade de trabalho a jovem que já projeta algumas compras para seu salário, como um notebook. Luiza tem paralisia cerebral com comprometimento dos membros inferiores o que levará a Câmara a realizar adaptações que já eram necessárias, como nos banheiros e uma rampa até o plenário enquanto não é colocado um elevador. A mãe de Luiza, Maribel Rios, vê na oportunidade de trabalho a chance que os portadores de necessidades especiais têm de ingressar no mercado de trabalho. “É a chance de a pessoa competir em igualdade no mercado de trabalho”, comenta.


O Professor Luis Lopes, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), acha importante ações como a dá Câmara, mas lembra que o ideal seria que a sociedade em geral fizesse ações por iniciativa própria e não por força de lei. Na questão local, ele lembra que além dos órgãos públicos uma loja abriu vaga para um aluno da instituição. Ele também lembra que é dando oportunidade as pessoas com necessidades especiais que elas poderão mostrar sua capacidade. “É inerente ao ser humano a capacidade de aprender, seja o que for, várias realidades nos provam que a capacidade de aprendizado do homem é diretamente proporcional ao estímulo que ele recebe, ou seja, dê a oportunidade e a motivação para qualquer pessoa que ela atingirá o objetivo”.


O Próximo passo para inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho e no convívio diário dos Canguçuenses é a acessibilidade. Para o professor da APAE, Luis Lopes, falta estrutura para os deficientes no município chegarem até os postos de trabalho. “Não podemos deixar de citar o princípio de tudo, quando se fala em acessibilidade, que é a parte estrutural, arquitetônica, que carece de muito mais atenção em nossa cidade, conheço várias pessoas que evitam sair de casa para não ter que se deparar com um obstáculo na primeira esquina”, revela.


A Legislação Estadual da Pessoa com deficiência prevê em seu artigo 118 que todos os jovens com deficiência têm o direito a reinserção e à integração plena na sociedade, sendo sujeitos de direitos e oportunidades que lhe permitam o acesso a serviços e benefícios sociais que melhorem a sua qualidade de vida. Neste sentido o vereador Wendel Vilela (PTB) lembra que é necessário agir. "È inconcebível cruzarmos os braços para os fatos, assistirmos de forma passiva a exclusão e o desrespeito com os portadores de deficiência no processo de inclusão social.
Vereador Wendel Vilela (PTB) foi autor do projeto que destina vagas no Executivo e Legislativo em Canguçu-RS. Fotos: Augusto Pinz/Canguçu em Foco


O Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência de Canguçu, tem realizado um trabalho de suma importância fazendo reivindicações ao poder público na busca da efetivação dos direitos das pessoas com deficiência, como a questão da adequação dos estacionamentos privativos para deficientes, as situações da acessibilidade dos prédios públicos que não possuem elevadores.


“Sabemos que há leis para garantia dos diretos das pessoas com deficiência, mas que ainda há um longo caminho a ser percorrido até que estas leis sejam cumpridas”, revela a Assistente Social Franciane Milech. No nosso município o trabalho de conscientização da sociedade em relação aos direitos das pessoas com deficiência ainda tem que ser aprimorado. “Em relação às vagas no mercado de trabalho é um dos grandes desafios”, comenta, louvando a iniciativa do Legislativo em promover vagas e fiscalizar o preenchimento das mesmas. “Gostaria de parabenizar a iniciativa da Câmara de Vereadores, e pedir que o poder Legislativo lute como muita garra junto ao poder público e com o CONSELHO MUNICIPAL DOS DIREITOS DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA para que realmente as leis existentes sejam cumpridas em relação as pessoas com deficiência”, encerra.

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